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domingo, 9 de julho de 2017

Poemoça


Sem notar ela me tira o ar
pelo simples fato de passar...
Se pudesse chegar nela
e sentir a sua boca,
escreveríamos um romance
- mesmo que sem roupa...
Sem nossos tecidos
nos vestiríamos apenas
com nossos sentidos
num corpo só.
Mas ela não tem dó
nem sonha que tira minha paz
pelo simples fato de ser
perfeita demais.
Perfeita para mim
do jeito que eu sempre quis
em meus sonhos mais íntimos
de um dia ser feliz.
Aquela moça merece tudo,
tudo que não cabe no mundo,
tudo que não cabe num poema...
Na verdade ela é tudo,
ela é o meu mundo,
ela é o mais belo poema...
É uma poemoça
que não consigo ler a fundo...
Que pena!...

terça-feira, 20 de junho de 2017

Caixinhas de fósforos


Cada prédio da cidade
abriga algum capricho;
um fogo que invade;
uma felicidade;
um riso;
um sonho adormecido
que cresce feito pão
a cada noite que nasce
face a face 
a cada dia são,
a cada passo a passo
no ritmo e no compasso
do pulsar do coração...

quarta-feira, 14 de junho de 2017

e


Gente estressada...
Se estressa por nada.
Mal sabe que a flor
que desabrocha formosa
é resultado do tempo;
da hora que não é a nossa,
porém, todavia é exata...
Espera que nos mata
- entre o espinho e a rosa.

Gente estressada...
Se estressa por nada.
Mal sabe que a balança
geralmente pende
mais para a fossa
e que o presente é somente
uma nota que toca
na sinfonia da vida
- entre o espinho e a rosa.

Gente estressada...
Se estressa por nada.
Mal sabe que entre
o espinho e a rosa
desta vida penosa,
está o centro do ser,
o nosso ponto G:
onde a alma goza
sem ninguém se meter...



segunda-feira, 5 de junho de 2017

Hino noturno



O céu escuro.
Nós dois no muro...
Eu e você.
Sem nos esconder
deste mundo obscuro...
Como um morcego
em vôo cego,
troco meu ego
pelo seu beijo.
Seus olhos de foice
me rompem de noite
e me conduzem
feito Vênus,
efeito “nuvem”...

Os corpos nus...
Defeitos surgem?
Se houver luz.
Por isso, detesto
estes modismos
e sempre os deleto
perto dos sinos
presentes no som
de todos os livros
que seguem livres
regendo o tom
dos seres vivos
- perplexos cisnes
no “bem-bom”...

segunda-feira, 29 de maio de 2017

Aquela mulher


Aquela mulher judia
judia de mim
com a sua agonia
muda no jardim,
por seu olhar amargo
de desespero
sem fim...

Aquela mulher judia
judia de mim
pelo modo como vive
sem liberdade, enfim,
por ter que sempre se explicar
pelo que fez ou não fez -
tim-tim por tim-tim.

Aquela mulher judia
judia de mim
por ter que suportar o peso
de uma convenção imposta
- mesmo que ruim -
e ter que achar bom
sobreviver assim.

Aquela mulher judia
judia de mim
por sua beleza escondida
em seu traje chinfrim
e pelo modo como encara
a própria desgraça
com alma de querubim.

Aquela mulher judia
judia de mim
pelo jeito como desfila
tal qual uma manequim
na passarela do meus sonhos,
com seu perfume de jasmim
embalando meus neurônios ...








terça-feira, 25 de abril de 2017

Um poema, simplesmente



Quero um poema diferente
do olhar de quem é indiferente...

Quero um poema que enfrente
qualquer problema e não lamente...

Quero um poema que somente
pense, repense e siga em frente...

Quero um poema que represente
a trajetória da vida em minha mente...

Quero um poema bem latente
feito flor dentro da semente...

Quero um poema que contemple
o universo, o mundo e minha gente.

Quero um poema bem paranaense:
com sabor e som de “leite quente”...

segunda-feira, 17 de abril de 2017

Páscoa



Páscoa é ressurreição...
E ocorre todo dia,
em cada manhã que renasço
com os olhos fitos na Poesia
e com a alma no Espaço...